27 Fevereiro, 2009
Bancos franceses resistem à crise
Principais instituições registram lucro
Apesar de ter sido afetado pelas turbulências financeiras mundiais, o setor bancário da França têm apresentando uma capacidade de resistência melhor que seus congêneres norte-americanos e franceses. De acordo com o Le Monde, as perdas conjuntas das instituições bancárias do país tiveram prejuízos inferiores às do Bank of Scotland (avaliadas em € 30 bilhões).
Além disso, o setor ainda conseguiu registrar lucros em 2008, como demonstraram os balanços anuais da Société Générale (€ 2 bilhões) e do BNP Paribas (€ 3 bilhões). O texto lembra que o governo francês auxiliou os bancos com um pacote de € 21 bilhões.
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26 Fevereiro, 2009
Encontro discute pacote de estímulo
Tom predominante é de pessimismo
Reunidos na vigésima edição da Conferência Anual do Aço, realizada em Tampa, na Flórida (EUA), representantes do setor – fortemente afetado pela crise financeira mundial – debateram os efeitos do pacote de estímulo à economia de US$ 800 bilhões anunciado recentemente pela Casa Branca. De acordo com o The Journal of Commerce, o tom foi de pessimismo: o presidente e CEO da Gerdau Ameristeel, Mario Longhi, afirmou que os US$ 70 bilhões do plano são importantes, mas a indústria siderúrgica deverá enfrentar desafios ao longo deste ano – pelo menos até os mercados de crédito se recuperarem.
Já o gerente-geral da SteelOrbis Americas, Murat Askin, avaliou que o período atual é bastante negativo para os mercados do aço. Ele citou a contração da economia norte-americana, o nível alto de alavancagem no sistema bancário europeu e as tensões no Oriente Médio como fatores que vêm provocando o cancelamento de projetos no setor siderúrgico.
Contudo, algumas multinacionais do setor mostraram um tom diferente no encontro. O vice-presidente de vendas e marketing da ThyssenKrupp Steel USA, Bob Holt, confirmou os planos da empresa de investir em projetos de grande porte no Brasil e nos EUA.
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25 Fevereiro, 2009
Problemas no Japão
Na mesma semana em que o ministro das finanças japonês Shoichi Nakagawa foi afastado em razão de seu comportamento durante o encontro do G7 no último sábado, o país asiático amarga um rápido processo de aprofundamento da recessão. De acordo com o The Japan Times, o último relatório mensal do gabinete de governo reviu para baixo pela quinta vez consecutiva as perpectivas para a economia japonesa, afirmando que o consumo doméstico está em processo de declínio.
As empresas do país também continuam a enfrentar dificuldades. A companhia aérea Japan Air Lines (JAL) – que já anunciou que seus resultados do ano fiscal 2008-2009 serão inferiores ao anteriormente projetado – já estuda tomar emprestados do Banco de Desenvolvimento do Japão um total de ¥ 200 bilhões. “A demanda por vôos internacionais de passageiros e de carga deteriorou dramaticamente desde o último outono, devido à desaceleração global”, afirmou o vice-presidente sênior de finanças da JAL, Yoshimasa Kanayama.
Em meio aos efeitos da crise, o presidente do Banco de Desenvolvimento da Ásia, Haruhiko Kuroda, advertiu na semana passada que a adoção de medidas protecionistas na região poderá causar mais danos às economias nacionais, e pediu que os governos asiáticos trabalhem de forma coordenada para lidar com a recessão global.
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20 Fevereiro, 2009
Para inglês ver
A revista The Economist abordou de maneira bastante crítica a eleição de José Sarney (PMDB-AP) para a presidência do Senado, considerada “uma vitória do semi-feudalismo”. Entretanto, enfatiza a reportagem, a eleição só tornou-se viável pois obteve o apoio tácito do presidente Lula. O texto caracteriza o senador como um homem poderoso, que há quase meio século influencia os rumos políticos do país, ao mesmo tempo em que pleiteia e exerce cargos eletivos de extrema importância (governador, senador, deputado federal, e presidente “acidental”, após a morte de Tancredo Neves), mas sem executar mudanças efetivas no seu próprio estado natal, o Maranhão.
A cidade de São Luís, capital do Maranhão, é apresentada como “decrépita e violenta”, e a mortalidade infantil no estado, “acima da média brasileira”. José Sarney tem o controle da maior cadeia de mídia do estado (que reproduz a programação da Rede Globo), mencionada como um meio de controle da população, que fica à mercê de informações que favorecem o próprio clã Sarney (“uma oligarquia eletrônica”, cita a reportagem). A Economist identifica o senador com oligarquias que obtém benesses do Estado e governam sem oposição nos rincões do país, “onde o nepotismo é prática recorrente, enquanto os índices de desenvolvimento humano, péssimos”.
No entanto, Sarney incomodou-se com a repercussão negativa da reportagem e respondeu às críticas da revista inglesa por meio de uma carta, em que condena as acusações de ser o responsável direto dos problemas existentes no Maranhão, já que tanto o governo da capital, São Luís, quanto o do estado, não possuem mais vínculos com membros da sua família.
O senador também reiterou ter sido o responsável pela transição governamental, após os anos de chumbo da ditadura. "A história julgará meu papel, mas sou reconhecido como o presidente da transição democrática, da convocação da assembleia constituinte e que priorizou o desenvolvimento social, o que permitiu o surgimento de uma sociedade verdadeiramente democrática e levou um operário a ser eleito presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva”, alegou Sarney na carta, que foi publicada na versão digital e posteriormente será publicada na versão impressa.
Não deixa de ser curioso que a revista tenha chegado à mesma conclusão que Glauber Rocha, mas com 42 anos de diferença. Em 1966, o cineasta foi convidado por José Sarney a documentar sua posse para governador do Maranhão. Enquanto Sarney proferia loas ao seu estado natal e se comprometia a combater todas as mazelas sociais, Glauber filmava a miséria reinante no Maranhão, de modo a estabelecer um contraste gritante entre a eloquência retórica do governador e a brutal realidade.
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17 Fevereiro, 2009
Buscando o culpado pela crise
As tentativas de economistas em determinar as causas da crise continuam recebendo espaço nobre na imprensa internacional. Na semana passada, o chairman da RGE Monitor, Nouriel Roubini, avaliou ao Financial Times que o modelo de regulação dos mercados anglo-saxão, adotado após os acordos de Bretton Woods, falhou ao se centrar na “ausência de regulação”. Ele também criticou as tentativas dos EUA e do Reino Unido de injetarem capital em seus bancos para evitar o alastramento da crise no sistema financeiro.
Para ele, esta abordagem levará a uma situação semelhante à dos bancos japoneses, que receberam recursos durante a crise da década de 90 mas não foram reestruturados, perpetuando assim a crise no crédito.
No The New York Times, Roubini também se mostrou pessimista com relação à crise, afirmando que o sistema bancário dos EUA “está efetivamente insolvente
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16 Fevereiro, 2009
Recessão na Europa e Japão
O escritório de estatísticas da União Europeia (Eurostat) divulgou na última sexta (13) que o PIB tanto dos 15 países que adotam o euro quanto dos 27 que compõem o bloco econômico caiu 1,5% nos últimos três meses de 2008, na comparação com o trimestre anterior. De acordo com o El País, essa deterioração pelo segundo trimestre seguido oficializa a entrada da União Europeia em um quadro de recessão – que é agravada pelos resultados que vem sendo divulgados pelos países que integram o bloco.
A Alemanha, que recentemente perdeu o posto de terceira maior economia mundial para a China, apresentou no último trimestre de 2008 sua maior queda desde a reunificação, registrando um declínio de 2,1%. Para a agência DW, o governo de Berlim avalia que a contração da economia alemã em 2009 deverá ser a maior desde a 2ª Guerra Mundial. Também Portugal divulgou hoje um recuo de 2% no quarto trimestre e terminou o ano em recessão. Segundo a agência Lusa, analistas esperavam um declínio de no máximo 1% do PIB.
Dados divulgados pelo governo japonês indicam que o PIB do país recuou 11,7% no último trimestre de 2008 – a maior desaceleração registrada desde a crise do petróleo de 1974. De acordo com o The Japan Times, as exportações do país despencaram 23,1% no período, o que gerou uma onda de demissões em empresas como Toyota, Toshiba e Hitashi. “A demanda externa entrou em colapso”, resume o economista-chefe da Nomura Securities, Takahide Kiuchi.
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9 Fevereiro, 2009
Recuperação só em 2012
A reunião deste ano do Fórum Econômico Mundial, no final de janeiro,teve seu foco direcionado aos efeitos da crise financeira mundial e às formas de combatê-los. Além de constituir uma espécie de prévia do encontro marcado para abril entre os países do G20, a reunião trouxe discussões sobre a recuperação da economia mundial – e aí o pessimismo prevaleceu.
De acordo com o El País, os representantes empresariais que participaram dos debates sobre o mundo pós-crise não esperam uma recuperação antes de 2012. Essa percepção foi reforçada pelos números apresentados pela PriceWaterhouseCoopers, que na terça (27 de janeiro) mostrou uma pesquisa junto a companhias dos EUA e Europa segundo a qual as expectativas de negócios se reduziram de forma substancial. A frase do presidente do eBay, John Donahoe, citada na reportagem – “Se eu puder dormir bem apenas três noites nos próximos 12 meses, considerarei 2009 um sucesso” – traduz o espírito desanimador que prevalece em Davos.
Surpreendentemente, a única opinião mais otimista foi do geralmente pessimista Stephen Roach, presidente do Morgan Stanley na Ásia. O executivo acredita que em três ou quatro anos o mundo verá taxas de crescimento de 5%.
O fórum também abriu espaço para as críticas que o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, fez com relação à visão predominante entre investidores – de que os BCs devem estocar fundos. Para ele, isso não ajuda a conter os efeitos da recessão, e dá às companhias não-financeiras uma justificativa para adiarem seus investimentos. De acordo com o FinancialTimes, Trichet defendeu que as empresas façam agora sua parte retomando as práticas normais de negócios e recuperando parte de sua confiança perdida. Para ele, as companhias têm sido reféns de uma visão de curto prazo; elas teriam de “retornar a um horizonte normal de investimentos”.
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06 Fevereiro, 2009
Crise derruba transporte de cargas
Um importante indicador da desaceleração econômica mundial trazida pela crise financeira foi divulgado em 29 de janeiro pela International Air Transport Association (Iata). De acordo com a entidade, a movimentação mundial de cargas aéreas (que totalizam 35% do total de mercadorias comercializadas internacionalmente) caiu 22,6% em dezembro, na comparação com o mesmo mês do ano anterior.
Segundo Giovanni Bisignani, diretor-geral da Iata, mesmo em setembro de 2001, quando a maior parte da frota de aviões ao redor do mundo ficou retida em razão dos atentados terroristas aos EUA, o declínio foi menor (de 13,9%). O The Journal of Commerce acrescenta que, para a entidade, essa queda reflete a redução nos volumes de cargas exportadas e importadas pelos mercados da Ásia, América do Norte e Europa
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05 Fevereiro, 2009
O fim de um sonho americano
A edição de dezembro da revista Fortune traz uma matéria especial de capa sobre a forte crise que abala a General Motors (“Death of an american dream – how General Motors got it so wrong for so long. A corporate memoir”). A montadora norte-americana que foi líder no mercado mundial por 70 anos consecutivos (assumiu o posto da Ford em 1931) e, sinal dos tempos, foi ultrapassada pela montadora japonesa Toyota em 2008.
Nesse início de 2009, a GM se encontra em um estado financeiro extremamente crítico (“no precipício”, segundo o texto) e tem recorrido a pedidos de empréstimos bilionários ao governo norte-americano, que, a despeito do vulto, não garantem a sobrevivência da montadora – por ora, uma sobrevida.
A matéria foi redigida pelo repórter Alex Taylor III, que cobre o setor automotivo há três décadas. Com o título “GM and me” (alusão ao documentário de Michael Moore, “Roger and me”, sobre a indústria automobilística em sua cidade natal, Flint, Michigan), ele levanta os principais pontos e erros para a companhia ter chegado ao declínio vertiginoso que a crise financeira trouxe à tona, mas que faz parte de um processo lento, de décadas.
Segundo Taylor, a GM está pagando agora um alto preço pela negligência estratégica e inadequação diante de anseios e mudanças de preferências dos consumidores e da sociedade com relação aos automóveis, que vem mudando há algum tempo. A montadora manteve-se “isolada, auto-referencial e muito apegada ao status quo”, segundo a matéria, além de uma ter perdido progressivamente seu market share desde a década de 60. Carros menos poluentes, novas tecnologias e redução de custos estão na ordem do dia no mercado automobilístico, mas a GM não deu atenção a tais anseios, apostando em sua tradição, poder de mercado e sua própria lógica de gestão, que não foi renovada ao longo dos anos.
O CEO da companhia, Rick Wagoner, foi questionado pelo jornalista sobre o motivo pelo qual a GM não se adaptou ao estilo de mercado de uma montadora como a Toyota, por exemplo, que se mostrou mais apta a encarar novos desafios, ao que ele respondeu: “Estamos jogando nosso próprio jogo – tirando vantagem de nossa herança e força exclusivas”. Será o fim do “american way of life?”. Veja a matéria aqui: money.cnn.com/2008/11/21/magazines/fortune/taylor_generalmotors.fortune/index.htm
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04 Fevereiro, 2009
Sinais preocupantes
De acordo com estudo divulgado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) na quarta-feira (28 de janeiro), o crescimento econômico mundial deverá cair para o nível mais baixo desde o fim da Segunda Guerra –atingindo 0,5% em 2009 e 3% em 2010. Ao revisar suas projeções, o organismo avaliou que as economias centrais deverão experimentar uma forte contração, ao passo que as emergentes terão sua capacidade de crescer comprometida pelos efeitos da crise.
Para o economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard, o enfrentamento da crise não deverá deixar de lado açõescoordenadas que restaurem a saúde do setor financeiro por meio de medidas como injeções de capital, e estimulem a economia com mecanismos de política monetária e fiscal.
Também naquela semana foram divulgadas as projeções do International Finance Institute. Mostrando-se alinhada com as perspectivas divulgadas pelo FMI, a entidade avaliou que o fluxode capital privado para os mercados emergentes deverá cair perto de dois terços em 2009. Segundo a Reuters, o volume total poderá passar de US$ 466 bilhões em 2008 para US$ 165 bilhões neste ano. No caso do Brasil, o instituto considera que o crescimento econômico não superará 0,8% - percentual bem distante do esperado pelo governo.
As projeções desanimadoras do Fundo para o comportamento da economia mundial neste ano foram reforçadas na sexta (30 de janeiro) pelos dados consolidados da Eurostat (escritório de estatísticas da União Européia) de 2008. Segundo os números, a taxa de desemprego nos 15 países que integravam a área do euro até 31 de dezembro de 2008 atingiu 8% no final do ano; considerando-se também os 12 integrantes da União Europeia que não empregavam a moeda comum, o percentual atingiu 6,8%.
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03 Fevereiro, 2009
Blogueiros realizam balanço do evento de tecnologia Campus Party
Realizado pelo segundo ano consecutivo no Brasil, após 12 edições na Espanha, o Campus Party, evento com duração de uma semana e que foi encerrado no último dia 25, reuniu aproximadamente 6 mil pessoas interessadas em tecnologias digitais. São representantes de diversos países que se reuniram para compartilhar informações e percepções sobre os variados segmentos do ramo, bem como antecipar tendências de mercado.
Após o término do evento, a Folha Online convidou onze blogueiros para comentar e fazer um balanço dos pontos positivos e negativos no Campus Party 2009. As percepções foram similares entre os convocados: como pontos positivos, os blogueiros destacaram a troca intensa e fecunda de conhecimentos sobre tecnologia e a proximidade de contato com pessoas que têm convergência de interesses, mas que se comunicam por longos períodos apenas virtualmente, além da variedade de assuntos abordados entre eles. Outro ponto destacado e muito bem avaliado por eles foi o networking, a relação de contatos profissionais e corporativos propiciados pelo encontro, cotado como um facilitador de oportunidades. Em suma, a relação humana, o encontro, as afinidades pessoais.
Por outro lado, houve muitas críticas relativas à infraestura e desorganização do evento. Entre os inconvenientes, foram relatados problemas com a segurança do evento, que registrou alguns furtos de aparelhos; o excesso de barulho que, em muitos momentos, beirou o limite suportável (durante as palestras, o som vazava e atrapalhava o entendimento de um outro evento); os shows e artistas que se apresentaram, escolhidos sem parâmetros em relação ao público (houve inclusive um caso em que participantes expulsaram do palco músicos com vaias) e problemas com a rede e morosidade na conexão.
Por meio da análise de pessoas que têm um contato estreito e cotidiano com a tecnologia, os blogueiros (“sismógrafos” de praticamente todo e qualquer assunto de relevância atualmente), o Campus Party simboliza o grande embate interpessoal na primeira década do nosso século: como conciliar a tecnologia digital e a rapidez da informação ao convívio humano, a relação pessoal e a proximidade profissional entre os indivíduos.
# postado por Imagem Corporativa @ 18:17
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