"A internet é apenas como se o mundo estivesse passando notas dentro de uma sala de aula"

-Jon Steward Imagem Corporativa
        

03 Novembro, 2006

 

"Todo homem é uma ilha" é uma máxima que não tem mais vez no mundo pós-internet. Logo, logo vai figurar apenas como uma utopia, pois privacidade está se tornando artigo de luxo. Para o bem e para o mal. O sistema que encanta milhões de pessoas a ponto de elas exporem seus sentimentos mais íntimos em praça pública é o mesmo que permite que um hacker tire todo o dinheiro de uma conta corrente ou um desafeto divulgue informações confidenciais de uma ex-namorada ou ex-patrão. Quando o feitiço pode se virar contra o feiticeiro? Qual é o limite que não pode ser ultrapassado? Por enquanto, a experimentação tem se mostrado mais atraente. Um caso extremo mostra que a publicidade descobriu como fazer uso deste recurso em campanhas integradas de produtos de consumo . Em um único mês, cerca de 8 mil mulheres americanas aceitaram o convite do desodorante feminino Secret, da Procter&Gamble, para revelar segredos íntimos em um site público. Não bastasse isto, os segredos foram revelados, com o conhecimento das proprietárias, nos painéis eletrônicos mantidos pela Nasdaq e Reuters na Times Square, em Nova York, para serem vistos por milhões de pessoas que diariamente passam por uma das ruas mais movimentadas do mundo. A estratégia foi copiada de empresas menores, que vislumbraram um canal privilegiado de marketing neste gosto dos consumidores pela quebra da privacidade. As possibilidades deste recurso para estabelecer relações próximas com o consumidor são infinitas e não implicam, necessariamente, fazer revelações apimentadas. Mas será cada vez mais difícil alguém "não ser encontrado", vendo expostos na internet dados que vão do manequim da calça jeans ao número do CPF e do celular, da cor preferida de baton ao saldo de investimentos no banco. O simples anônimo está mesmo em vias de extinção.