"A internet é apenas como se o mundo estivesse passando notas dentro de uma sala de aula"

-Jon Steward Imagem Corporativa: 05/01/2007 - 06/01/2007
        

28 Maio, 2007

 

Internet e Privacidade

Mais uma vez o monitoramento de acessos dos brasileiros à Internet voltou a ser assunto na Câmara do Senado. O projeto, apresentado pela primeira vez no final de 2006, seria votado pelos senadores na última quarta-feira, 23/05, mas foi adiado.

Entre outras propostas, o texto prevê que os provedores de acesso à internet exijam dos internautas o preenchimento de um cadastro a cada nova conexão. O objetivo é monitorar autores de atividades de risco na web, tais como inserções e consultas de assuntos relacionados à pedofilia, ao racismo, além de quebra de direitos autorais – que também está na mira do projeto de lei.

A maior responsabilidade ficaria para os próprios provedores. A eles caberia a vigilância intensa de seus usuários e a garantia do fluxo de informações às autoridades sobre uso indevido da internet. No caso de o usuário não se identificar, ou utilizar identidade falsa, o infrator poderia ser punido com até dois anos de prisão.

Em países que praticam a censura na Internet, como a China, o Irã e a Arábia Saudita, são aplicados filtros na web para assuntos como pornografia infantil, política, direitos humanos e religião. Na Europa já existe pressão para a adoção de um filtro contra a pornografia infantil.

Neste contexto, cabem algumas questões:

Os provedores brasileiros seriam capazes de cumprir às novas exigências?

A internet é censurável? O Brasil se encaixaria na categoria de país que pratica a censura na web?

Os internautas brasileiros aceitariam as novas imposições, uma vez que a internet é um território livre?


24 Maio, 2007

 

Blog corporativo é usado ainda com timidez no Brasil

Todos os dias nascem, em média no mundo, 70 mil novos blogs. Apesar do grande potencial como ferramenta de comunicação, aqui no Brasil o blog é pouco explorado. As empresas nacionais ainda não se habituaram a novidade, preferindo os meios convencionais de comunicação.

Uma pesquisa realizada pela consultoria de marketing de relacionamento Rapp Collins aponta que apenas 0,54% das empresas brasileiras utilizam blogs próprios. A consultoria ouviu 1008 empresas para o levantamento.

Já nas empresas multinacionais, os blogs corporativos são uma febre. Essas empresas já perceberam as vantagens da ferramenta para promover a integração e fidelização de clientes.


18 Maio, 2007

 

Conduta pessoal e ética

Cada vez mais, a conduta pessoal e a ética influenciam a reputação e a imagem de um grande executivo. E uma postura inadequada pode acabar em demissão. Um exemplo disso é Paul Wolfowitz, presidente do Banco Mundial, que apresentou sua renúncia na tarde desta quinta-feira (17). A decisão veio quatro dias após uma investigação do banco concluir que ele violou regras éticas ao promover sua namorada, Shaza Riza, em 2005, para o Departamento de Estado Americano, com reajuste de salário superior a 40%. Wolfovitz deixará o cargo no dia 30 de junho.

O comunicado divulgado pelo conselho da instituição afirma que “Wolfovitz nos assegurou que agiu de forma ética e de boa fé no que acreditou serem os melhores interesses para a instituição, e nós acreditamos nisso”. O Banco Mundial também reconheceu avanços feitos por ele no combate à pobreza na África e na luta contra a corrupção.

Quem também renunciou neste mês de maio por causa de um escândalo pessoal foi Jonh Browne, presidente da British Petroleum, após um tribunal britânico autorizar um tablóide inglês a publicar reportagem sobre seu relacionamento com um ex-amante, Jeff Chevalier. Ele contou fofocas sobre os jantares de Browne, inclusive um com o primeiro-ministro britânico, Tony Blair. Browne mentiu ao tribunal sobre como ele e Chevalier conheceram-se, o que complicou ainda mais sua situação.


14 Maio, 2007

 

ISO 26000: a futura norma internacional de responsabilidade socia

Desde 2004, a ISO (International Organization for Standardization) está trabalhando na construção de uma norma de responsabilidade social mundial. Prevista para publicação em 2008, não terá propósito de certificação nem de caráter de sistema de gestão. Sua finalidade consistirá em apresentar diretrizes de responsabilidade social e orientar organizações de diferentes portes e naturezas a incorporá-las a sua gestão.

A futura norma estará em sintonia com as principais normas, tratados, documentos e convenções internacionais já existentes. O objetivo é que se torne um documento guia de responsabilidade social, capaz de orientar organizações em diferentes culturas, sociedades e contextos, para estimular melhorias de desempenho e resultados.

Atualmente, a ISO 2600 conta com o envolvimento de cerca de 300 especialistas e diversos observadores, representantes de organizações e delegações nacionais compostas por profissionais que representam consumidores, empresas, governo, ONG, trabalhadores e serviço. O Brasil e a Suécia estão na coordenação desta norma.

Este movimento representa um marco histórico por ser desenvolvido por organizações de um amplo espectro da sociedade, de países desenvolvidos e em desenvolvimento, em uma iniciativa não advinda de governos ou entidades como a ONU.

Espera-se que a norma ISO 26000 possa estimular empresas e entidades em todo mundo a se engajarem no processo de construção de uma sociedade mais justa, ética e sustentável. Há também o desejo de se ter empresas que levem para o núcleo de suas estratégias empresariais princípios da responsabilidade social a fim de se criar um ambiente propício á promoção do bem-estar global.


02 Maio, 2007

 

Octavio Frias de Oliveira

Conheci Octavio Frias de Oliveira no elevador. No elevador da própria Folha de S. Paulo.

Eu estava em meus primeiros dias de trabalho no jornal. Embora não conhecesse sua fisionomia tive certeza de que aquele era o Seu Frias, como costumava ser chamado, quando sua entrada no elevador já lotado fez com que um ruidoso bate-papo coletivo se transformasse em cerimonioso “boa tarde” a ele dirigido, seguido de conversa de poucos decibéis entre o térreo e o 4º. andar do edifício da Barão de Limeira 425, onde desembarcamos todos, jornalistas, na redação da Folha de S. Paulo.

Muito já se falou e escreveu sobre a vida e a obra de Octavio Frias de Oliveira. Portanto, não serei eu, com uma convivência limitada ao papel de jornalista que participou com ele de algumas reuniões e de almoços de trabalho, a pessoa mais indicada para realizar grandes análises e comentários sobre esse empreendedor que evitava ser chamado de jornalista mas tinha a sagacidade reservada aos melhores da profissão.

Lembro, de qualquer modo, de algumas passagens que revelam um pouco do estilo do personagem Octavio Frias de Oliveira.

Um dos episódios, ocorrido alguns meses depois de minha chegada ao jornal, foi uma reunião tête-a-tête , na qual ele pedia minha opinião sobre temas específicos. Lembro que a atitude me pareceu a um só tempo interesse sincero de compartilhamento de percepções com um jornalista novo na casa bem como exercício de checagem intelectual. A conversa foi interrompida em determinado momento pelo telefonema de um eminente líder político brasileiro que é até hoje figura de grande destaque. Pelo que ouvi do lado de cá, a partir da menção do nome do interlocutor pelo próprio Seu Frias durante o telefonema, ficou claro que o outro lado da linha recorria à última instância do jornal visando manter no tamanho original (bem maior do que o recomendado) um texto para a página nobre dos artigos assinados do jornal, a respeitada página 3. O editor daquele espaço, pude perceber pela conversa, solicitara cortes ao texto original para que fosse respeitado o padrão obedecido por todos os outros colaboradores da página. Mas o inconformado autor do artigo do dia acreditava poder furar o bloqueio falando diretamente com o dono do jornal. Embora cortês com o interlocutor, Seu Frias foi implacável. Disse que a publicação do texto só seria possível se o autor acatasse a recomendação do editor da página 3 e reduzisse o escrito ao tamanho padrão. Disse algo como “não tem jeito”, desligou, e a nossa conversa voltou aos trilhos percorridos antes de sua interrupção.

Em outra passagem, anos depois, eu já estava fora do jornal e atuando como profissional de comunicação empresarial. Acompanhava um presidente de empresa multinacional para almoço na Folha com o “staff” do jornal. À saída, Seu Frias presenteou meu cliente e a mim com o livro “Primeira Página”. Explicou para o executivo, que era estrangeiro, tratar-se de publicação que continha algumas das capas mais relevantes da história da Folha de S. Paulo. E, virando-se para mim numa gentileza tão inesperada como especialmente generosa, acrescentou: “E algumas dessas capas você ajudou a produzir”.

Vale mencionar depoimento do jornalista Elio Gaspari, no livro “A Trajetória de Octavio Frias de Oliveira”, de Engel Paschoal: “O jornal de maior circulação do país pertence a uma pessoa desinteressada do tamanho de seu ego (...) Caso raro de sujeito que acorda com vontade de perguntar e, mais raro ainda: pergunta sem dar ao interlocutor a impressão de que vai arrumar as respostas numa moldura já desenhada (...) Num traço raro no meio jornalístico, fica feliz com o êxito de quem quer que seja, sobretudo das pessoas que trabalham na Folha”.

Ciro Dias Reis